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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O Diário de Helga




Helga Weiss tinha 12 anos quando, devido sua etnia judaica, foi enviada para um campo de concentração. Em seu relato de pouco mais de 200 páginas, ela registra experiências, sonhos e medos.

Aqueles que leiam o nome do livro, muito provavelmente, confundirão-o com O Diário de Anne Frank, uma clássica biografia, porém totalmente diferente dos relatos de Helga. Anne confia em seu diário os desafios de viver escondida, com outras duas famílias, com pouca comida e quase nenhuma privacidade. Ela tenta se entender e entender o mundo, e vivê-lo a sua maneira. Mas ela não enfrenta os desafios daqueles que perderam sua dignidade humana nos campos de concentração.

Já, Helga experiência a sistematização do trabalho, da fome, da violência física e simbólica de ser judeu e ser mulher. Ela está crescendo, e ela tenta também se entender, mas entender-se em um mundo onde os carros fúnebres entregavam comida de manhã e levavam corpos a noite é muito mais complicada.

Primeiramente eles nos levaram para banhos, onde eles tiraram de nós tudo que ainda tínhamos. Literalmente, eles não deixaram um único fio. Eu não reconheci minha própria mãe até ouvir sua voz.


Estima-se que 15 mil crianças passaram pelo campo de Terezin, o mesmo que Helga viveu. apenas cem estavam com vida quando a guerra terminou. Em suas páginas Weiss, relata as condições de vida as quais seus colegas e ela eram submetidos. Sua brincadeiras, anseios e medos. E muitos desses relatos é coroado com ilustrações infantis, feitas por uma menina, como qualquer outra, que devido a sua etnia judaica foi enviada para um campo de concentração.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Luta: Substantivo Feminino.



                Conhecido também como o dia que durou 21 anos, a ditadura militar brasileira colocou os direitos humanos e a democracia em segundo plano. Trinta anos após seu término, o Brasil ainda tenta entender suas motivações, efeitos e dar voz a aqueles que tiveram seus direitos violados. Luta: Substantivo Feminino, aparece nesse contexto, narrando a história de quase 50 mulheres que lutaram direta ou indiretamente pela volta da democracia.
                Com ótima introdução de Nilcéa Freire, então ministra da secretária de Políticas Públicas Para Mulheres, o livro informa e conscientiza. A organização impecável, traz introdução, contextualização, um acervo significativo de fotos da época, perfis das presas políticas, depoimentos exclusivos, e guias informativas sobre movimentos sociais, locais e momentos históricos.
                Entre os melhores momentos do livro encontram-se os relatos Yara Spadini e de Rose Nogueira, ambas sobreviveram a tortura policial, apesar de terem tido experiências diferentes. Indiferente da personagem ou do ocorrido todas as situações são relatadas com respeito necessário as vítimas, e a humanização possível aos torturadores que representavam naqueles momentos uma instituição, um governo e uma ideologia.

                Luta: Substantivo Feminino, surgiu da necessidade de reconhecimento da violência institucionalizada pelo governo ditatorial e propagada pela polícia, faz parte de um grupo de ações em favor do ‘direito à memória e à verdade’. Mas muito além de projetos governamentais, a publicação provoca reflexão, e traz o rosto e a história de pessoas que de outra forma seriam apenas números, devolve a história e identidade de brasileiras que tiveram seus direitos, corpos e identidades apagadas da história brasileira.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Guia do Mochileiro das Galáxias

                Arthur Dent acordou naquela manhã, como em qualquer outra. Sem imaginar, todos os desafios que se aproximavam. Ter sua casa demolida? Ver o planeta Terra ser destruído?          Apenas uma manhã como outra qualquer.
                 Não fosse, por descobrir que um de seus melhores amigos, Ford Prefect, era na verdade um extraterrestre. Mas nada que uma boa viagem não cure. Especialmente se for para outros planetas, atravessando as dimensões do espaço e do tempo.
                Seja bem vindo, ao Guia do Mochileiro das Galáxias. Um livro que de tão inteligente parece idiota! Mas não um livro qualquer, nenhum daqueles facilmente esquecíveis. Nele você conhecerá um humano, que poderia ser herói, poderia mas não foi. E um grupo de personagens divertidos, egocêntricos, generosos e deprimidos.
                Entretanto, não se engane, se o livro é narrado de uma época pós-planeta-Terra, ainda poderemos encontrar em seus trechos muita da humanidade perdida no cotidiano, seja em Marvin um robô depressivo que constantemente se desliga, já que existir não faz sentido, a Zaphod o presidente do universo que não sabe nada mas se acha o melhor.
                Também conhecerá outros personagens como Trillian a mulher da série, que além de matemática é astrofísica, e bem mais inteligente que Arthur. Eu quero dizer, muito mesmo. Eddie o computador responsável pelo controle da nave poderia ser uma Miss, de tão simpático. Na verdade ela é ainda mais simpático. Tão legal que chega a ser irritante, não, não estamos mais falando de mim, ele é uma personagem no livro. Sim, é possível ser mais irritantemente simpático que eu.
                E os diálogos, que diálogos! Muito bem escritos, de fácil leitura e divertidíssimos. Tantas conversar e cenas que, além de entreter, poderão produzir reflexão. E não se espante se tudo que você precisar para viajar por todo universo é apenas uma toalha. Isso mesmo, uma toalha. Não você não entendeu errado. T-O-A-L-H-A. É que nesse universo o improvável é praxe.
                Nele compreendemos que viver é uma máquina da improbabilidade, e que as explicações apenas servem para confundir os mais sensíveis. Porque aqueles que são sábios, são como Marvin: Eles até te aconselhariam, mas você não ouviria. Ninguém ouve.

                Enfim, O Guia do Mochileiro não pretender resolver os seus problemas. Nem os dos próprios personagens, mas apenas mostrar o caus que é existir e como a vida é cercada de incertezas, improbabilidade e decepções. E que para esses momentos não é necessário muito somente calma, toalhas limpas e bom humor. E nunca se esqueça, não importa o problema: Não entre em pânico!

O extra-terrestre Ford Prefect, acredita que, Eles(terráqueos) não ´paravam de exercitar seus lábios, seus cerebros começariam a funcionar. Justificativa pela razão que as pessoas falariam coisas óbvias que todos já sabiam,


No começo o Universo foi criado... Isso deixou muita gente zangada e foi considerado como um erro.



Olha aí o primeiro livro.
Compre Aqui. Leia Aqui. Comente lá embaixo.


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Hora de Aventura



                Hora de Aventura, da CartoonNetwork, é um desenho leve, divertido, com belo traço e ideais humanistas. Em sua sétima temporada, a trama relata as experiências dos heróis Finn e Jake em uma terra pós-apocalíptica, ao mesmo tempo que trata de forma lúdica problemas contemporâneos.
                Finn, considerado o último humano, é adotado pela família de Jake, um cachorro - sim depois, de uma guerra atômica cachorros e outras criaturas ganham características anteriormente exclusivas a humanos. E ambos dedicam-se a proteger o próximo, numa clara referência aos romances de cavalaria, e porque não ao clássico Dom Quixote.
                Entretanto, diferentemente do personagem de Cervantes , Finn e Jake realmente salvam o dia, interagindo com seres de diferentes reinos e salvando-os. A personalidade da dupla de heróis é muito diferente o que ajuda a compor a ideia central da série de seres tão diferentes podem se relacionar de forma harmônica, já que enquanto Jake é festivo, divertido e inconsequente, Finn é emocional, racional e comprometido.
                Ao telespectador desavisado, talvez o desenho pareça simplíssimo ou até mesmo tolo, porém vários episódios e até mesmo a história dos personagens ajudam o público na compreensão do mundo contemporâneo de forma lúdica.
                Começando pela lista das personagens, que conta com um humano e um animal que trabalham em equipe compartilhando as mesmas dificuldades e direitos. As personagens femininas também fogem dos estereótipos,a princesa Jujuba, é feminina, independente, mandona e considerada em diversos momentos como a mais inteligente da série, inclusive quebrando padrões sobre mulheres cientistas. Já Marceline, uma vampira adolescente, gosta de pregar peças nos outros, compor músicas e tocar guitarra. Parece difícil de acreditar? Então, o que você está esperando para ir assistir?
                Existem também outros momentos em que temas polêmicos são abordados. Como, por exemplo, quando Jake conhece os pais de Lady Iris, ele um cachorro e ela um unicórnio, ansioso ele teme ter sua relação amorosa rejeitada pela família da amada. Essas passagem aparentemente singela, dialoga de forma direta dos problemas reais de casais inter-raciais ou homoafetivos. A abordagem do tema em um desenho apesar de não ser panfletária, permite uma compreensão da complexidade das relações "humanas" e de como características físicas ou biológicas podem ser limitativas.
                Ambiguidade é outra característica forte no desenho. Se de um lado Finn e Jake são heróis e em diversos momentos eles enfrentam o Rei Gelado, em um dos episódios eles são orientados pela princesa Jujuba  a prendê-lo, mas após cumprirem a tarefa e descobrirem que naquela ocasião o vilão não havia cometido nenhum delito eles soltam-no, e decidem eles mesmos ficarem presos. Parece, estranho? Mais o contexto do episódio é muito importante, por trabalhar com duas situações complexas. Primeiramente por romper com a generalização, de que existem bons e maus, já que os heróis percebem que por agirem com injustiça estão na posição do vilão. E em segundo lugar ao tratar o tema de autoridade, já que eles foram orientados a por uma pessoas "boa" e de confiança prenderem o Rei Gelado, mas ao descobrirem o erro eles agem de forma honesta contrariando uma ordem, uma amiga e até mesmo correndo risco de punição.
                E nesse contexto, existem muitos outros episódios em que os "bons" personagens mostram seus defeitos, e os "maus" são humanizados. Tornando possível, até, a socialização e construção de uma relação de cumplicidade e afeto entre eles. Um fato excepcional em desenhos de heróis, como X-man, Os Anjinhos  etc.
                Inclusão é outra temática persistente na série, devido a um acidente Finn perde o braço, essa perda acaba influenciando no humor do herói assim como em sua compreensão de mundo, todavia a cena e o contexto da situação tornam esses episódios em alguns dos mais filosóficos e poéticos momentos da série. Devolvendo ao menino a força de viver e a esperança. Agora me diga, que criança não adoraria ser representada pelo seu super herói favorito?

                Por que assistir Hora de Aventura? Por milhares de razões, para se distrair, para se divertir, para rir, se sensibilizar, para lembrar o que é ser humano. E porque devemos ser humanos. Existem outros tantos episódios e momentos em que Hora de Aventura, fala sobre a efemeridade das relações, a importância da família e figura paterna, a importância da liberdade feminina e tantos outros temas contemporâneos, mas esses você apenas descubrirá assistindo. Sabe que horas são? Hora de Aventura.
 


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A Moradora de Wildfell Hall

Raissa Ferreira




                A obra composta por Annie Bronte no século 19, é ainda hoje relevante do ponto de vista sociológico e estilístico. A história da idealista jovem religiosa que se casa com um boêmio jovem alcoólatra continua a encantar pela veracidade e critica social.
                Numa Inglaterra onde os valores antropocêntricos combatem o fanatismo religioso, encontramos um jovem casal que vivencia em suas experiências conjugais embates filosóficos e éticos, e que ao mesmo tempo que nos entretém, questionam nossa visão sobre o mundo.
                Helen uma jovem religiosa, porém idealista, recusa-se a casar com um homem 20 anos mais velho que ela, pois não o ama.  Contrariando a vontade familiar se casa com Arthur um jovem boêmio e ateu.  Se no século 21 ainda enfrentamos guerras em função de diferenças ideológicas  - imagine então, em pleno século 19?
                Se do ponto de vista ideológico poderíamos analisar esse embate de crenças, a questão de gênero norteia a obra através de diversas críticas sobre a posição da mulher na sociedade e seus direitos - ou a falta deles. Vale lembrar que o a mulher na época ainda não tinha uma identidade social ou direitos como individuo.
                Encontramos no livro um embate, entre o certo e o errado, o saber de ontem e o de hoje, e a mulher tentando sobreviver nessa sociedade hostil às suas necessidades mais básicas. Helen é uma protagonista forte, corajosa, decidida e religiosa, se devido sua imaturidade e fé em alguns momentos ela age de forma tola e impensada, sua coragem e força de caráter são determinantes para o enfrentamento dos problemas de ser uma mulher casada no século 19.
                O livro debate alguns pontos importantes sobre o direito da mulher, ao questionar a limitação de ser mulher em uma sociedade onde ela não tem renda, não pode administrar seus bens, não é bem vista pela sociedade se morar sozinha, e é impedida socialmente de trabalhar. Numa situação político-social como esta não é difícil de compreender a dependência de Helen tinham por Arthur, dependência financeira, psicológica e até social, que ainda hoje muitas mulheres vivem.

                A escrita em prosa é utilizada para criação de uma obra honesta e atemporal, obra essa antecessora de outras obras que falariam da situação da mulher na sociedade como Madame Bovary, Políticas Sexuais, e o  Segundo Sexo. Aos preguiçosos, vale lembrar: A BBC já fez dois filmes baseados na trama e esses podem ser baixados facilmente. Dois séculos depois o mundo mudou, mas muitos dos problemas enfrentados pela mulher continuam sendo os mesmos.